Sabe tu?
Tu vens.
E vais.
E eu lá me masmorrava de rancor com tuas suaves passagens,
tu, que torna-te você e não perde o charme com isso, nunca perde o charme.
Você que me aflige inteira, que rouba minh`alma e tranca numa gaveta esquecida, perde a chave e joga no
quarto escuro de algum vão em vão, de algum canto sujo e desprezado de tua casa reformada.
Sentia assim quando era terra, terra vermelha, cheia de calor e fertilidade, passional e domadora.
queria os homens - quaisquer que fossem - seus, só seus.
Era terra quando adolescia, mas ao mesmo tempo era vento - na farsa - e seguia aceitando propostas indecentes, obscuras tentativas de captura-los: eles todos. Eles, os homens que desejou.
Febril, amava em fogo. Fogareiro que podia queimar em qualquer parte com sua pequena botija,
carregada com merecimento.
Era dama e vagabunda! Vagabundeava toda as damices da vida.
Trepava na beira da praia em noites insanas de carnaval - sempre o primeiro que aparecia!
Trepava na escada do prédio em tardes entediantes na casa da avó - sempre o primeiro que aparecia.
Era fácil, fácil como um gato pedindo carinho.
E ao transar não miava, não gemia, não falava...
Era boa a Geni...
E o povo todo fodeu com ela.
sístoles-diástoles do Tempo
interstícios...arroubos e afins e algum veludo puído
19/11/2011
03/11/2011
sou Fridas: Jaia
Ah, essa maré que somos nós...
essa maré que é o mundo, que clama o tempo.
sabe, Jaia, estive a te buscar em mim.
pensamento: vagando, fluindo...
e todos ali, parados diante de nós...
nessa maré de mundo
nesse mar de gente
eu pensava que poderia ser assim.
o que dói, afinal?
o que dói?
já vou.
vou com esse pensamento e minha dor,
dor uma
dor duas
dor três
- que carrego com gosto.
essa maré que é o mundo, que clama o tempo.
sabe, Jaia, estive a te buscar em mim.
pensamento: vagando, fluindo...
e todos ali, parados diante de nós...
nessa maré de mundo
nesse mar de gente
eu pensava que poderia ser assim.
o que dói, afinal?
o que dói?
já vou.
vou com esse pensamento e minha dor,
dor uma
dor duas
dor três
- que carrego com gosto.
02/10/2011
non sense (tivo)
Devo forçar.
Arrombo esta porta.
com o pé ainda suspenso, observo meu sapato vermelho caindo com o movimento da perna que desce, o chão verde recebe a pancada, acolhe o insulto.
Devo romper.
Acabar com as mornidões de seus chás de espera, chamar tua cara de roxa e deixar o pau de lado.
Era como aprender a fazer bola de chiclete... evasivo...
assimilar os milhões, neurônios, plutônios e placas que se deslocam por debaixo da terra.
Vieram de paragens distantes, onde o deus virou comércio. A esta hora havia oração, culto, manifestação. ô, meu Deus!
O que faço comigo?
Devo permanecer.
largar a impaciência e deixar o rosto roto, reto, largo, abstrato, palhaço... de expressões inexpressas, presas...
presa de cachorro, filhote à venda.
na dúvida, não ultrapasse...
o que dizer mais? depois disso, todo o risco virou loucura, maldição, estupidez...
socorro, insana, sigo.
quero verde, quero ter-te, quero-quero e sabiá
hoje foi: tô fraco, ganso faz qüem-qüem...
non sense sigamos
Devo virar
cigana, malê, jabuticaba,
pular amarelinha só pra ir ligeiro do céu ao inferno, e não temer a eternidade
instante, viro, giro, piro...
Arrombo esta porta.
com o pé ainda suspenso, observo meu sapato vermelho caindo com o movimento da perna que desce, o chão verde recebe a pancada, acolhe o insulto.
Devo romper.
Acabar com as mornidões de seus chás de espera, chamar tua cara de roxa e deixar o pau de lado.
Era como aprender a fazer bola de chiclete... evasivo...
assimilar os milhões, neurônios, plutônios e placas que se deslocam por debaixo da terra.
Vieram de paragens distantes, onde o deus virou comércio. A esta hora havia oração, culto, manifestação. ô, meu Deus!
O que faço comigo?
Devo permanecer.
largar a impaciência e deixar o rosto roto, reto, largo, abstrato, palhaço... de expressões inexpressas, presas...
presa de cachorro, filhote à venda.
na dúvida, não ultrapasse...
o que dizer mais? depois disso, todo o risco virou loucura, maldição, estupidez...
socorro, insana, sigo.
quero verde, quero ter-te, quero-quero e sabiá
hoje foi: tô fraco, ganso faz qüem-qüem...
non sense sigamos
Devo virar
cigana, malê, jabuticaba,
pular amarelinha só pra ir ligeiro do céu ao inferno, e não temer a eternidade
instante, viro, giro, piro...
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